O movimento A Vida é Feita de Escolhas

VIRGINDADE E A PRIMEIRA VEZ.

A adolescência é uma fase povoada de sonhos, planos, imaginação e algumas preocupações. É neste clima de incertezas, expectativas e novas experiências que ocorrem o despertar sexual, as primeiras paixões e os primeiros relacionamentos, sejam os mais longos ou aqueles de uma noite. Os adolescentes enxergam novos horizontes, com uma grande sede de descobertas frente a um verdadeiro mundo novo até então intocado e pronto para ser desvendado.

O sexo faz parte deste universo a ser conhecido e a primeira vez é um momento aguardado, cercado de alguns mitos, medos e ansiedades. Nessa idade, a pessoa está passando por uma explosão de hormônios, por mudanças corporais e psicológicas significativas. Como vai ser a minha primeira transa? Como eu devo me comportar na cama? Será que vai doer? Essas são algumas das perguntas que inquietam garotos e garotas.

Na adolescência, consolida-se a identidade de gênero. Isso permite a expressão mais nítida da sexualidade. Por ser algo novo, o sexo costuma adquirir uma grande importância nessa fase da vida. A atividade sexual pode ser fonte de prazer e de felicidade, mas, ao mesmo tempo, também pode trazer culpa e temores, decorrente de ações realizadas por impulso. Por isto, os adolescentes necessitam, acima de tudo, de suporte afetivo, apoio, compreensão e orientação por parte dos pais, dos amigos, educadores e agentes de saúde.

Compreender a importância da sexualidade na adolescência torna possível que todas as pessoas que convivem com os adolescentes aproveitem as oportunidades no convívio diário para promover a educação sexual com clareza, diálogo, baseada na confiança e sem mentiras. Nessas conversas, deve ser dado espaço para que os adolescentes expressem suas dúvidas, com orientações para que exercitem sua sexualidade de forma saudável e protegida. É importante transmitir a ideia de que sexo é bom e importante na vida do ser humano, mas que a iniciação sexual deve acontecer sem pressão, após a escolha do contraceptivo e com o uso do preservativo.

Muitas vezes, o casal está namorando firme, em uma relação que os adolescentes consideram “estável” e, na hora do sexo, eles deixam de lado qualquer tipo de prevenção ou método anticoncepcional. Esse comportamento não é apropriado, entretanto, pois a primeira relação sexual não está livre dos riscos de uma gravidez não-planejada, de uma doença sexualmente transmissível (DST).

O início da vida sexual entre as jovens brasileiras, segundo a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS), de 2006, acontecia em torno de 17,9 anos. A pesquisa “Mosaico Brasileiro”, conduzida pelo programa de estudos em sexualidade da Universidade de São Paulo (USP), em 2008, apontou o inicio médio em torno dos 15 anos. Entretanto, as pesquisas mais recentes apontam que essa idade média vem caindo aceleradamente.  Nas diversas pesquisas realizadas sobre o tema, ficou constatado que as faixas etárias são semelhantes nas diversas regiões brasileiras, independentemente de as adolescentes residirem em áreas urbanas ou rurais. Uma vida sexual precoce e sem orientação deixa esse grupo mais vulnerável à aquisição de uma DST ou uma gravidez não-planejada.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a sexualidade é um dos alicerces da qualidade de vida, portanto, o exercício da sexualidade deve ser encarado de forma natural. Os métodos anticoncepcionais precisam ser utilizados com supervisão médica e o uso dos preservativos deve ser estimulado, pois são meios eficazes de prevenção das doenças sexualmente transmissíveis e da gravidez.

Para que o sexo aconteça sem traumas ou encanações, é legal que a primeira vez não seja motivada pela imposição e pressão por parte do grupo de amigos. Não é bom também quando o parceiro ou parceria vem com aquele papo de que o sexo será uma “prova de amor”.  Também é importante a escolha do local onde vai acontecer o encontro, pois devem ser evitados locais que facilitem situações de constrangimentos ou de violência externa, como o interior de carros. Procure relaxar, busque orientações com um médico e evite situações que possam gerar arrependimentos.

A sociedade, hoje em dia, embora consciente da importância de abordar as questões da sexualidade na adolescência, ainda apresenta muitos mitos e preconceitos permeando o tema da primeira vez. A tal “perda da virgindade” ainda é encarada de forma preconceituosa, como se o sexo fosse feio, errado e pecado, o que dificulta uma educação sexual adequada.

Ações conjuntas entre governo, iniciativa privada, escola e organizações não-governamentais podem ajudar na redução das situações de risco à saúde e evitar os problemas no desenvolvimento psicológico, físico e social aos quais os adolescentes se expõem em função de falhas na educação sexual. As orientações e informações qualificadas contribuem para que as escolhas dos adolescentes sejam cada vez mais conscientes, superando os tabus em torno da primeira vez e do sexo.

 

Referências bibliográficas

 

  • ABDO, C. O mosaico Brasileiro, PROSEX, São Paulo, 2008.
  • AFONSO, M. L.M. A polêmica sobre adolescência e sexualidade, Belo Horizonte ED. Do campo, 2001.
  • Brasil, Ministério da Saúde – Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde, PNDS 2006, Brasília, 2009.
  • Cavalcanti, SMOC Fatores associados ao uso de não uso de anticoncepcionais na adolescência, dissertação de mestrado defendida no IMIP, Recife, 2000.
  • LOPES G.; MAIA, M. Conversando com a criança sobre sexo. Quem vai responder? Belo Horizonte, Autentica /FUMEC. 2001.
  • World Health Organization. Defining sexual health: report of a technical consultation on sexual health; 2002.
  • TONELI, M.J. F. Sexualidade na adolescência: um estudo sobre jovens homens, interações, v9. N.18, São Paulo, 2004.