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TPM

O universo feminino tem as suas particularidades. Uma delas é a fase da TPM –  Tensão Pré-menstrual, um período cíclico que precede a menstruação, no qual podem aparecer sintomas psíquicos e físicos, que geralmente desaparecem no primeiro dia do fluxo menstrual e que podem, entretanto, se estender até o fim do fluxo.

Existem várias nomenclaturas para designar essa fase: TPM (Tensão pré-menstrual), SPM (Síndrome pré-menstrual) ou STPM (Síndrome da tensão pré- menstrual), mas a designação mais comum e que usaremos nesse post é TPM.

Esta patologia se caracteriza por um conjunto de sensações que ocorrem cerca de 10 a 15 dias antes do início do ciclo menstrual. Dados do Ministério da Saúde, por exemplo, indicam que a TPM atinge mais de 70% das mulheres brasileiras. Em adolescentes, faltam estudos com nível de evidências confiáveis, mas estima-se que, no mínimo, 20% dos adolescentes têm TPM e que 5,8% sofrem com a SDPM (Síndrome Disfórica Pré-menstrual), uma variante mais grave da TPM, que afeta de 3 a 8% das mulheres em idade reprodutiva.

Para se afirmar que uma pessoa sofre de TPM é necessário que existam, pelo menos, três episódios consecutivo dos sintomas, como irritabilidade, inchaço, ganho de peso, alterações de humor, compulsão por doces, cansaço, entre outras sensações.

A prevalência da TPM não parece estar relacionada aos aspectos socioeconômico, cultural ou étnico. Ela atinge a mulher na fase reprodutiva, conforme apontamos, e provoca alterações físicas, psíquicas e sociais. Pode comprometer os relacionamentos e a produtividade nos ambientes familiar, social, escolar e profissional. Apesar das piadas com o tema, a TPM é coisa séria e merece atenção do médico.

A TPM é provocada pela associação de mais de um fator e sofre forte influência dos aspectos emocionais. Os estudos sugerem que a TPM resulta da interação entre as variações cíclicas dos hormônios ovarianos, principalmente do estrogênio, que na segunda fase do ciclo sofre uma queda significativa, e dos neurotransmissores centrais. O neurotransmissor que está mais associado à TPM é a serotonina, embora tenha alguma evidência que indiquem a participação da beta-endorfina, da GABA (ácido gama-aminobutírico) e do sistema nervoso autônomo, além de forte influência dos fatores genéticos.

O diagnóstico, que pode ser realizado pelo ginecologista, baseia-se exclusivamente na avaliação do quadro clínico. O diagnóstico da tensão pré-menstrual costuma ser demorado, principalmente pela falta de exames que comprovem a sua existência. Como essa síndrome está ligada à ovulação, muitas mulheres podem se beneficiar do uso da pílula anticoncepcional, que suspende a ovulação. Nos Estados Unidos, a FDA (órgão regulatório de medicamentos dos Estados Unidos) aprovou a pílula com drospirenona e etinilestradiol para mulheres que têm sintomas de TPM e desejam anticoncepção hormonal. Já nos casos graves de síndrome disfórica pré-menstrual, outras medicações devem ser prescritas pelo especialista.

Mais de 150 sintomas já foram associados à TPM, entretanto, estudos recentes confirmaram a existência de 22 sintomas. As manifestações físicas mais comuns são a distensão abdominal e a fadiga extrema, que ocorrem em 90% dos casos, além de dor mamária e da cefaleia, que ocorrem em mais de 50% das mulheres que reclamam do problema.

O sintoma comportamental mais frequente é a alteração emocional (80%), irritabilidade, tensão, humor depressivo e aumento do apetite (70%), esquecimentos e dificuldade de concentração (50%). Outros achados comuns são: acne, hipersensibilidade aos estímulos ambientais, raiva, choro fácil e transtornos intestinais. Ondas de calor, palpitações e tonturas ocorrem em 15 a 20% dos casos.

Como nem todas as mulheres sentem os mesmos sintomas durante a TPM, uma classificação com cinco tipos diferentes foi elaborada. Eles podem acontecer separadamente ou ao mesmo tempo. Confira as descrições:

  • TPM A: está relacionada com a ansiedade. A queda do hormônio estrogênio, que ajuda a baixar o estresse, é acompanhada de maior liberação de adrenalina e cortisol, que contribuem para aumentar à ansiedade, a tensão, a dificuldade para dormir, a irritabilidade e as alterações de humor.
  • TPM C: está relacionada principalmente com a compulsão alimentar, a vontade de comer guloseimas ou comidas diferentes, e a dor de cabeça (cefaleia).
  • TPM D: está associada com os sintomas depressivos. Os principais sinais deste tipo são: raiva sem razão, sentimentos perturbadores, pouca concentração, lapsos de memória, baixa autoestima e sentimentos violentos.
  • TPM H: tem esse nome porque está relacionada à palavra “hidratação” e à retenção de líquidos e suas consequências. Pessoas que têm esse tipo de TPM apresentam ganho de peso, inchaço abdominal, sensibilidade e inchaço nas mamas e nas extremidades do corpo, como mãos e pés.
  • TPM O: esse tipo está associado aos sintomas menos comuns. Entre eles estão: alteração nos hábitos intestinais, aumento da frequência de urinar, fogachos ou sudorese fria, náuseas, acne, reações alérgicas e dores generalizadas, incluindo cólicas menstruais.

Existem ainda os tipos mistos e algumas mulheres reclamam que seus sintomas variam de ciclo a ciclo. Mas, como tratar a TPM frente a tantos tipos?

Não existe um único remédio ou tratamento, pois a indicação varia conforme o que a mulher sente. O tratamento envolve desde a mudança de hábitos comportamentais, como a realização de atividade física regular, a ingestão de uma dieta rica em proteínas e pobre em sal na segunda fase do ciclo e, também, o uso de medicamentos, tais como diuréticos, antidepressivos e anticoncepcionais.

Atualmente, o tratamento usado com melhores resultados são os antidepressivos, que devem ser prescritos pelo ginecologista. Nem pensar em automedicação. Estudos recentes mostram que esse remédio pode ser usado na menor dose possível e, durante a fase de tensão pré-menstrual, melhora muito a qualidade de vida das mulheres que experimentam essa disfunção.

Lembramos que a pílula anticoncepcional com drospirenona e etinilestradiol pode e deve ser usada, também com supervisão médica. Isso porque esse medicamento mantém os níveis de estrogênio sempre elevados, evitando a queda brusca desse hormônico, que costuma ocorrer antes da menstruação e é a causa principal dos sintomas. Os anticoncepcionais com menos dias de pausa são os que mais beneficiam as mulheres nesse quesito.  Resultados que ainda não foram cientificamente comprovados apontam que a vitamina B6 (piridoxina), a vitamina E, o cálcio e o magnésio podem ser usados na melhora dos sintomas. Outro medicamento é o ácido gama linoleico, que é um ácido graxo essencial e pode ser encontrado no óleo de prímula.

 

Referências bibliográficas

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