O movimento A Vida é Feita de Escolhas

O que é, afinal, a adolescência?

Sylvia Maria Oliveira da Cunha Cavalcanti*

A adolescência é uma etapa do desenvolvimento das pessoas que se situa entre a infância e a idade adulta. Uma fase de mudança, onde o jovem ainda não se tornou o adulto que será, mas que já deixou de ser a criança que era. Parece complicado, não? É uma fase povoada de contradições e incertezas, alegrias e tristezas, sonhos e fantasias, sentimentos de querer mudar o mundo e de se sentir grandioso. A característica principal do comportamento do adolescente é sem dúvida a ambivalência, ou seja, ele tem que lidar com a existência de sentimentos opostos dentro dele.

Segundo a Organização Mundial de Saúde OMS (1986), a adolescência compreende a fase dos 10 aos 20 anos. No Brasil, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), através da lei 8.069, de 1990, considera criança a pessoa até 12 anos de idade incompletos e define a adolescência como a faixa etária que vai dos 12 aos 18 anos de idade (artigo 2o), e, em casos excepcionais e quando disposto na lei, o estatuto é aplicável até os 21 anos de idade (artigos 121 e 142). Já pela Organização das Nações Unidas (ONU), a adolescência é fase entre 15 e 24 anos (youth), critério este usado principalmente para fins estatísticos e políticos.

Geralmente, na adolescência ocorre a puberdade, que é a transformação física do corpo de criança para o de adulto, quando se desenvolve também o mecanismo dos hormônios sexuais. Porém, muito mais que um período de mudanças físicas, a adolescência é um período de mudanças psicossociais, trata-se, portanto, de uma fase de transformações BIOPSICOSSOCIAL. Quase tudo se modifica: o corpo, a parte emocional e o sistema nervoso e, inclusive, as relações com as pessoas que convivemos.

Podemos dividir, de uma forma didática, a adolescência em três fases: dos 10-14 anos onde predominam as transformações físicas, que duram aproximadamente de 2 a 3 anos para se completarem. A segunda fase vai dos 14 aos 18 anos e nela há uma predominância de mudanças psíquicas, com as tensões geradas pela “rebeldia” e inquietações típicas desta etapa. A terceira fase começa a partir dos 18 anos, na qual predominam os fenômenos de ordem social, pois é um momento em que o adolescente tem que fazer opções, como que carreira a seguir, onde e quando deve trabalhar, quais as opções sexuais, como lidar com a maioridade etc. Qual fase você está vivendo agora?

Todos estes momentos são carregados de ansiedade: na primeira fase predomina a ansiedade que afeta a autoestima e a imagem corporal; na segunda fase, vem aquela ansiedade com o trauma da ruptura do cordão umbilical psíquico. Este é o momento de maior dificuldade com as figuras de autoridade (pais, professores, médicos, mentores religiosos, etc.); a terceira fase caracteriza-se pelo temor com o futuro e as incertezas com o amanhã.

Ouvir o adolescente com carinho e atenção, jamais demonstrar menosprezo por suas preocupações, mesmo que pareçam infantis, observar seu comportamento, suas amizades, percorrer com ele o máximo possível esse período tão turbulento que é a adolescência. O discurso moralista quase sempre provoca enfado no adolescente, já o diálogo afetuoso é capaz de orientar, estimular e comprometer.

 

Referências bibliográficas

  1. Lei 8.069, de 13 de Julho de 1990. Estatuto da Criança e do Adolescente. Brasília: Ministério da Justiça, 1990.
  2. Brasil/IBGE. Crianças e adolescentes, indicadores sociais. Brasília: IBGE, 2004.
  3. Cavalcanti, R.C in vitiello n., et alli ( orgs). Adolescência hoje ( 3 ediçao, mimeo)1987
  4. Kaplan S. Conversando sobre saúde com adolescentes, Instituto Ciência Hoje, Rio de Janeiro, 2007
  5. Piaget, Jean. Teoria da aprendizagem na obra de Jean Piaget. São Paulo: UNESP.2009.
  6. Pinto, J. M. (2003). Adolescência e escolhas. Coimbra: Quarteto
  7. Santos, L. M. M. (2005). O papel da família e dos pares na escolha profissional. Psicologia em Estudo, 10, 1, 57-66.
  8. Soares D.H.P.,(2002). A escolha profissional: do jovem ao adulto. São Paulo: Summus.
  9. WHO, World Health Organization. Young People´s Health – a Challenge for Society. Report of a WHO Study Group on Young People and Health for All. Technical Report Series 731. Geneva: WHO, 1986.

 

* Médica especialista Ginecologista obstetra com área de atuação em sexologia pela FEBRASGO; Mestre em saúde Materno Infantil, Professora da Faculdade de Medicina do Centro de Ensino Unificado de Brasília, Membro do Comissão Nacional de Sexologia da FEBRASGO, Membro da Sociedade de Ginecologia Infanto Puberal (SOGIA), Especialista em Ginecologia da criança e da adolescente pela UFPE, Especialista em sexologia e Educação sexual pela FLASSES (Federação Latino Americana de Sexologia e Educação Sexual)